Domingo, Outubro 11, 2009

Agenda 21 – a demagogia local
Geórgia Nepomuceno
  • A Agenda 21 é um conjunto de estratégias voltadas para a preservação do planeta, criada durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO-92), realizada entre 3 e 14 de junho de 1992, na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de iniciativa global com o intuito de repensar as ações humanas em relação ao ambiente em que vivemos, fazendo com que nossas atitudes destrutivas sejam substituídas por comportamentos mais comprometidos com o bem estar pessoal e coletivo.
  • A ideia central deste projeto se baseia na sustentabilidade das regiões. Ou seja, buscar o desenvolvimento sob o estigma da perfeita harmonia entre o homem e os demais seres vivos. Em se tratando da territorialização, a ferramenta passa a ser compreendida em um cenário mais delimitado, uma vez que cada governo se torna responsável por gerir suas próprias metas. No entanto, a essência da proposta continua sendo a mesma, porém interligada diretamente a realidade na qual será aplicada.
  • No Brasil, o programa vem sendo conduzido pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 (CPDS), criada em fevereiro de 1997, pela Presidência da República e vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. De acordo com o Instituto Ecológico Aqualung, o documento produzido pela CPDS, Agenda 21 Brasileira - Bases para Discussão, foi distribuído para representantes de 27 estados com a finalidade de popularizar seu conteúdo e, com isso, integrar os cidadãos à luta sócio-ambiental.[1]
  • Notamos durante nossa pesquisa, que até o momento, pouco se fez sobre este assunto. As atividades continuam ainda consideravelmente no campo da ideologia. Até mesmo o site do Ministério do Meio Ambiente carece de informações claras e específicas voltadas para as aplicações das diretrizes. Conseguimos observar que o país conseguiu solidificar seu próprio alicerce de metas ambientais ao somar os esforços de diversos municípios, todavia ainda nada colocou em prática.
  • Portanto, acreditamos que a Agenda 21 somente receberá o mérito de mecanismo eficiente quando de fato for posta à prova. Pautá-la em conferências, seminários, dentro das escolas, em demais eventos que envolvem o debate, é necessário. A troca de opiniões, o esclarecimento, a comunicação bilateral, são fatores importantes. No entanto, o tempo está passando e, a cada dia, o mundo sofre os efeitos de diferentes formas de agressão. A velocidade das negociações é inversamente proporcional às degradações e aos impactos (muita vezes irreversíveis) causados pela humanidade contra a natureza e a si mesma.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009




GAZA
O pedaço de terra mais cobiçado dos últimos tempos


Geórgia Nepomuceno


O que mais me impressiona no conflito israelo-palestino, com terríveis bombardeios na Faixa de Gaza, é o fato das pessoas desejarem saber o que exatamente está acontecendo. Venho acompanhando o episódio por meio das mídias virtuais e, ontem, ao ler a página da Folha de São Paulo, me surpreendi. Os brasileiros perguntavam enfaticamete: "Quando foi que tudo começou???" e "Qual é o motivo dessa guerra??". As respostas eram pouco asertivas, porém convenciam.

É bem possível que toda esta desavença tenha começado no século XIX. Agora, o que motivou árabes e judeus a se confrotarem dessa maneira? Aparentemente, pode ser uma questão cultural, talvez econômica e/ou religiosa. Ainda não foi encontrada uma pessoa que consiga optar por apenas um dos fatores. É provável que nenhum dos lados saiba ao certo o porquê do que está se passando. São orgulhos feridos que cegam os indivíduos.

Nos jornais, encontramos informações e nomes que se repetem: Israel, Palestina, Hamas, Fatah, ONU, Cruz Vermelha, Primeira e Segunda Intifada, Guerra dos Seis Dias, Estados Unidos, Obama, Jerusalém, Cisjordânia, Egito etc.

Ainda segundo a editoria Mundo, da Folha, os 14 dias de calamidade já resultaram na morte de 257 crianças. O total de paletinos mortos chega a 760. Em se tratando de soldados israelenses o número cai para 10 mortes. Por isso, também, a comunidade internacional chama de desproporcional os ataques entre os dois povos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) havia anunciado a retirada de seus integrantes da Faixa de Gaza, mas hoje voltou atrás e pretende continuar a socorrer os necessitados. O cessar-fogo com o intuito de facilitar a ajuda humanitária vem sendo cumprido por ambos os lados. Só o fato de Israel anular os bombardeios por um período já é algo positivo.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) e o governo de Israel tiveram as relações interrompidas pelo Hamas. Logo, a conversa entre os descontentes se torna cada vez mais difícil. As negociações ficam restritas a este grupo armado (considerado terrorista) e o premiê israelense, Ehud Olmert.


Muitos culpam o nazismo pelo que está acontecendo neste momento. Outros, os próprios judeus por estarem ocupando terras habitadas por palestinos. Existe ainda o grupo que culpa os árabes por não respeitarem as decisões de 1993, tomadas em Oslo*.

O importante, na verdade, é evitar a morte de mais inocentes. Dar nome aos bois é uma tarefa que pode esperar.
* Os Acordos de Oslo (1993 e 95) criaram a ANP e transferiram parte da responsabilidade pela administração de certos trechos dos TPO para a nova entidade.

Segunda-feira, Setembro 08, 2008



Eu sou o Miles



Geórgia Nepomuceno

Impacientemente, já vou logo adiantando que Miles corresponde ao personagem do Jack Black em "The Holiday". Filme no qual ele faz, quase que sem a gente perceber muito, par romântico com a Kate Winslet, a Rose do "Titanic".

No nosso português a película recebeu o título de "O Amor Não Tira Férias". Agora você exclama aquele: "Ah! Tá!". E começa a entender melhor sobre o que estou falando.

Devido às mudanças, física e psicológica, somente agora fui conferir a história. A sessão começou com os já traduzidos "Letra e Música" passando por "Menina Má . Com" e "Juno" (ambos protagonizados pela alucinada da Ellen Page) até chegar no dito cujo.

Cameron Diaz me pareceu bem melhor do que em "In Her Shoes", filme no qual contracena com a espetacular Toni Collette (a mãe da Little Miss Sunshine). A idade sem dúvida alguma é a melhor amiga das mulheres.

Jude Law conseguiu se redimir. Ao contrário do neurótico de "Closer", seu personagem é um bondoso e ainda sexy pai de família. Para falar a verdade, Law me faz crer que ele apenas se parece com alguns amigos meus: bonito e cafajeste.

Bom, mas eu sou o Miles. O cara nem gordo, nem magro. Hábil para contar histórias interessantes com aquele tom bem humorado que poucos pessoas de fato levam a sério. Confesso que a certeza de ser Miles me veio na cena em que Iris Simpkins (Kate Winslet) e ele estão na locadora escolhendo os filmes recomendados pelo vizinho-ancião Arthur Abbott (Eli Wallach). Miles falava sem parar e Iris ria. Aquele falatório me irritou profundamente, porém foi aí que vi que em mim havia muito de Miles.

Talvez, ser Miles não seja tão ruim assim. Haja vista o fato de se ter alguém semelhante a Kate Winslet como recompensa por ser apenas você mesmo.

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

MARVIN GAYE IS SHOT AND KILLED: POP SINGER'S FATHER FACES CHARGE

Geórgia Nepomuceno

video

O LINK DO CIRURGIA INÉDITA: http://www.youtube.com/watch?v=IVFT7i94zQU

NEW YORK TIMES

April 2, 1984, Monday

Marvin Gaye, who blended the soul music of the urban scene with the beat of the old- time gospel singer and became an influential force in pop music, was shot to death today. The singer, who would have been 45 years old Monday, died of bullet wounds in his ...

Sábado, Agosto 23, 2008

Displaced People

VOVÓ: A APÁTRIDA

Geórgia Nepomuceno
De mãos atadas, sem direito, como uma perfeita apátrida...

Somente ouvi falar (muito) a respeito de duas pessoas no mundo que não possuem pátria. Esses duas pessoas são minha trisavó (mãe de meu bisavô) e a Elke Maravilha. Vovó eu nem cheguei a conhecer. Elke eu vejo e via pela televisão. De acordo com Aurélio Buarque de Hollanda Ferreia, cujo local de origem corresponde a Passo de Camaragibe (Alagoas-Brasil), pátria é: 1. país onde nascemos; o torrão natal; terra. 2. Província, cidade, aldeia, etc., 3. A terra dos pais.

Vovó, posso dizer com e sem ironia, era uma sem isso tudo. Elke também. No caso mais popular, no da segunda mulher citada neste texto (claaaaro! porque nem tanta gente conheceu a minha avó), as coisas aconteceram mais recentemente.

Durante a Ditadura Militar (1964-1985), Elke foi presa, torturada e teve sua cidadania caçada.

Em entrevista, ela disse:

"Entrei na prisão cidadã brasileira naturalizada e saí de lá apátrida. Eles tomaram meus documentos. Não é um documento que vai me dizer quem eu sou, eu sou brasileiríssima e pronto. Eu já havia votado uma vez. Nessa situação, viajei duas vezes com passaporte amarelo da ONU para apátridas. Isso é sério, porque nem todos querem receber uma pessoa assim, geralmente são perseguidos políticos ou com problemas com o fisco."

Bom, minha vovó somente fez uma viagem longa aos oito anos de idade. Roteiro: Itália-Brasil. Chegando aqui ainda em 1900, ela já era uma sem caminho de volta. Nunca mais colocou os pés em outro navio que cruzasse mares. Nunca voltou para terra de seu pai, pois sua mãe, como ela, também não tinha torrão algum.

Repito, não conheci vovó.

Vovó que chegou na cidade de São Paulo sem ter completado ainda uma década de vida, filha de italianos de Verona, com pai engenheiro porém sem grana. Vovó que pariu filhos no início do século XX, que se casou com um índio domador de cavalos, que viveu até conhecer alguns netos e que, segundo tia minha, sempre abominou o divórcio. Morreu por volta de 1960 e deixou poucas lembranças.

Mas, mesmo sem conhecê-la, tomei algumas dores que ela, talvez, nunca tenha sentido. Talvez mesmo! Porque não tinha tempo e nem queria pensar naquilo que eu pensava. Ela tinha a casa e os filhos para cuidar.

Eu não. Eu tinha tempo livre e fui até o respeitado Consulado Geral Italiano do Rio de Janeiro. Lá fui recebida por uma recepcionista educada que escaneou minha mochila e me concedeu passagem. Afinal, eu não portava arma de fogo, facas, qualquer outro tipo de objeto cortante, bombas, nem comida estragada.

Subi os degraus da escada depois de também passar por um homem de terno feio que tinha o compromisso de acentuar a primeira permissão.

Entrei em uma sala. Nela, sentada atrás da mesa, estava uma outra mulher. Branca, séria e vestindo uma blusa jeans.

- O que você deseja? - ela perguntou.

- Quero saber se tenho direito à cidadania italiana. - eu disse.

- Quem é seu parente italiano?

- A mãe de meu bisavô.

- Quando ela nasceu?


- 1891.


-E ele?

- 1915.

- Não. Você não tem.

- Obrigada.

- Por nada.

Foi a primeira e última vez que fui tão objetiva. Confirmado o que dizia a página na internet deste consulado:

"PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS SOBRE O DIREITO DA CIDADANIA

Têm direito à cidadania italiana: 1. Filhos, netos, bisnetos, etc., de italiano, em todas as gerações mantendo-se a linha paterna; 2. Filhos, de mulher italiana que tenham nascido a partir de 01/01/1948; 3. Existem, porém, causas que podem ter determinado a perda da cidadania de acordo com as leis vigentes da época, como especificado nos pontos subsequentes. "

Meu bisavô que vai completar 93 anos em novembro nasceu em 1915, como já mencionei. Quando ele veio ao mundo, enchendo a pleura de ar, vovó ainda era apátrida (porque quem não pode transmitir sua cidadania só pode ser um sem pátria). Logo, sua falta de nação acabou por perseguir a sua cria.

"A mulher italiana no passado não tinha direito à transmissão da cidadania. Somente com a entrada em vigor da Constituição da República Italiana em 1º de janeiro de 1948, ela passou a transmiti-la. Sendo assim os filhos de mulher italiana nascidos antes de tal data não têm direito à cidadania. Observa-se porém que a mulher pode ter nascido antes dessa data, mas só transmite aos filhos que nasceram depois. "


Por isso que eu sempre digo: os anos 50 cheiram a liberdade!
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Terça-feira, Agosto 19, 2008


QUANTO TEMPO LEVA PARA ESQUECER?
Geórgia Nepomuceno

A cabeça de cada um é a sua própria salvação ou desgraça. Mas, nem sempre o cérebro é o responsável pela atualização das lembranças. Às vezes, lembrar é um ato tão institivo que o coração pode ser o culpado de tudo. Por favor, não leve o significado de culpa muito ao pé da letra por aqui. Enfim, a pergunta é: quanto tempo leva para esquecer? Você pode responder dizendo que vai depender da intensidade dos acontecimentos, da repercussão, das pessoas envolvidas etc.

Estava pensando em qual poderia ser a quantidade de tempo suficiente para as pessoas se esquecerem de frases como: "a primeira vez é sempre a última chance"; "olhe nos meus olhos, sou o homem tocha e esta é uma canção de amor"; "estou pensando em casamento, mas não posso me casar, eu sou um rapaz direito e fui escolhido pela menina mais bonita"; "se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais, seja como for"; "gosto de São Paulo, gosto de São João, gosto de São Francisco e São Sebastião e eu gosto de meninos e meninas"; "aquele suor amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo"; "sexo verbal não faz meu estilo"; "talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos (...) estava lhe ensinado a ler On the Road e coisas desiguais"; dentre outras.

Pergunto isso porque voltei a ouvir os discos da Legião Urbana e, se a tal da memória (olha ela) não me falha, eu estava com 12 anos de idade quando Renato Russo se foi. Com a morte do vocalista da banda, a mesma nunca mais subiu aos palcos com liderança nova. A produção que ficou foi a mesma deixada por Renato, exceto pela coletânea e cds "ao vivo". Porém, todos com a participação dele.

Hoje em dia, não vejo considerável número de adolescentes indo buscar no passado coisas da Legião. Quando o tempo passar e, gente que era criança como eu em 1996 também deixar de existir, quem vai dar prosseguimento às histórias daquela que foi uma das melhores bandas do Brasil?

Tomara que eles nunca sejam esquecidos. Mas, se for inevitável, que isso leve muito tempo!

Quarta-feira, Abril 09, 2008



O PANÓPTICO DE JUÍZO




NÃO ESQUEÇA O SENTIDO DAS PALAVRAS

Geórgia Nepomuceno

O dispositivo panóptico analisado por Michel Foucault tem como um dos pontos principais a atitude de vigiar sem ser visto. No século XVIII, caracterizado pela chamada Sociedade Disciplinar, percebe-se a utilização deste mecanismo de poder dentro das escolas, prisões, hospitais, fábricas.


O resultado desta aplicação da ordem eram os corpos dotados de força de trabalho e, consideravelmente, incapazes de uma produção intelectual. Não havia oportunidade do conhecimento para aqueles que estavam inseridos nestas instituições.


No caso das prisões, a reabilitação possuia mais chances de se tornar algo concreto, porque as medidas aplicadas para tal eram exemplares. Os presos que sofriam as armadilhas do panóptico tinham a sensação de estarem sendo vigiados a todo o instante. O medo de ser pego andando fora da linha era capaz de transformá-los em seres disciplinados e aptos a voltarem para a sociedade.


No caso das instituições prisionais apresentadas no documentário JUÍZO, de Maria Augusta Ramos, a lógica do panoptismo se perde, uma vez que as autoridades de coersão se deixam ver.


O medo distribuído pelos funcionários do DEGASE aos infratores é direto e explícito. Naqueles espaços, existe a certeza da vigilância. Logo, o discurso do mecanismo de poder também é modificado.

O panóptico de JUÍZO parece não existir na sua totalidade... voltamos à microfísica.